Sem cerimônia, Trump cortou trilhões de dólares que os EUA destinavam a ONGs e à USaid, agência que patrocina iniciativas no exterior. A cúpula da OEA está atenta a isso. E, para evitar a tesoura, fará um relatório que não dê margem à interpretação de que atuou com negligência no caso Moraes.
Para este ano, a previsão é que os Estados Unidos destinem 52 milhões de dólares à Organização dos Estados Americanos. O valor corresponde à metade do arrecadado pela OEA junto a todos os outros 33 países que integram o colegiado internacional.
“Impressionante”
Um outro termômetro do que está por vir pôde ser percebido na entrevista concedida por Pedro Vaca Villarreal a Sam Pancher, no Metrópoles. Nela, o enviado da OEA disse ter ficado “impressionado” com o tom das acusações feitas por deputados, senadores e manifestantes críticos do ministro Alexandre de Moraes.
“O tom dos relatórios é realmente impressionante. Temos que analisar isso com calma. Eles [STF] divulgaram um comunicado de imprensa sobre o encontro. Essa é a voz deles. Teremos a nossa mais tarde”, afirmou o representante da OEA.
Histórias de manifestantes presos no 8 de Janeiro chamaram a atenção de Pedro Vaca Villarreal. Entre elas, a de Cleriston Pereira da Cunha, “patriota” que morreu no presídio da Papuda após passar mal. Meses antes do óbito, o gabinete de Moraes ignorou pedidos médicos e parecer da Procuradoria-Geral da República que solicitavam a soltura de Cleriston. Quem narrou o episódio para a OEA foi Luiza Cunha, filha do falecido.
O relatório da Organização dos Estados Americanos será robusto, não há dúvida. A dúvida é quanto à intensidade. Se o documento, que tem abrangência e repercussão internacional, provocará leve dor de cabeça ou enxaqueca em Alexandre de Moraes. O tempo dirá.
Fonte: Metrópoles