SÃO PAULO, 17 de junho — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem o direito de ter uma preferência eleitoral no Brasil, mas advertiu seu colega americano a “ficar fora” das eleições deste ano.
Lula, que pretende disputar a reeleição em outubro, fez os comentários pouco depois de Trump dizer a jornalistas que o Brasil se tornou um país “um pouco complicado” e “politicamente perigoso”.
“Eles jogam pesado, mas ninguém joga mais pesado do que os Estados Unidos”, afirmou Trump.
As declarações representam mais um capítulo da relação marcada por altos e baixos entre os dois líderes, que estavam na Suíça nesta quarta-feira para o último dia da cúpula do G7.
O principal adversário de Lula nas pesquisas é o senador Flávio Bolsonaro, filho do aliado de Trump e ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ter sido condenado no ano passado por conspirar para um golpe de Estado depois das eleições de 2022.
O presidente americano reuniu-se no mês passado com o senador Bolsonaro, acompanhado de seu irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado que vive nos Estados Unidos. Trump também havia se encontrado com Lula algumas semanas antes.
Eduardo Bolsonaro, que vem trabalhando para reunir apoio internacional à sua família, foi condenado na terça-feira pelo Supremo Tribunal Federal por buscar interferência do governo Trump no julgamento de seu pai no ano passado — acusação que ele nega.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que a condenação de Eduardo Bolsonaro faz parte de um “padrão de perseguição e lawfare por parte dos tribunais brasileiros contra a oposição política”.
O porta-voz acrescentou que “debates políticos devem ser resolvidos por eleições democráticas, e não por condenações judiciais”.