O pré-candidato a deputado estadual do Piauí José Trabulo Neto (PP) publicou nesta semana um vídeo em que acusa o governador do estado, Rafael Fonteles (PT), de ter frustrado a promessa de utilizar o Porto Piauí, em Luís Correia, para a exportação de minério de ferro produzido no estado. Segundo ele, a Lion Mining mantém cerca de 100 mil toneladas de minério paradas no terminal sem conseguir realizar o embarque.
Na gravação, Trabulo Neto afirma que a empresa foi convencida pelo governo estadual a substituir a logística atualmente realizada pelo Porto do Pecém, no Ceará, pela estrutura do Porto Piauí, mas sustenta que a operação não saiu do papel.
“Essa aqui é a mineradora que foi enganada pelo governador Rafael Fonteles dizendo que iria exportar seus minérios de Piripiri pelo Porto Piauí. Até hoje está lá parado no porto, sem resposta”, afirmou.
O pré-candidato também disse que embarcações permanecem aguardando para concluir a operação de exportação. Segundo ele, um navio de 100 mil toneladas estaria fundeado há aproximadamente um mês, enquanto a embarcação responsável pelo transbordo também enfrenta dificuldades para deixar o canal de navegação.
Ainda de acordo com Trabulo Neto, a demora gera custos elevados para a empresa. Ele afirmou que apenas a diária do navio Marine Victory, que estaria fundeado a cerca de 30 quilômetros da costa, varia entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 100 mil e R$ 250 mil por dia, conforme a cotação do dólar.
“Governador, eu sei que o senhor me escuta. Em vez de estar ajudando o setor privado, o senhor está atrapalhando. Essas 100 mil toneladas já poderiam ter sido exportadas pelo Porto do Pecém em três dias”, declarou.
Ao final do vídeo, Trabulo Neto questiona quem arcará com os prejuízos provocados pela paralisação da carga e critica a operação do terminal.
“Agora eu quero saber quem é que vai pagar essa conta toda. Quero saber o quanto vai cair no bolso de nós piauienses essa farsa de um porto fake”, afirmou.
Governo prometeu iniciar exportações em 2026
As críticas ocorrem poucos meses depois de o governo do Piauí anunciar que o Porto Piauí passaria a ser utilizado para exportar o minério produzido pela Lion Mining.
Em abril deste ano, Rafael Fonteles visitou as instalações da mineradora em Piripiri e afirmou que a expectativa era iniciar ainda em 2026 o escoamento da produção pelo terminal de Luís Correia. Até então, a exportação vinha sendo realizada por meio do Porto do Pecém, no Ceará.
Na ocasião, o governador afirmou que a mudança reduziria custos logísticos e aumentaria a competitividade do minério piauiense no mercado internacional. O plano previa a utilização do sistema de transhipment, no qual embarcações menores transportam a carga até navios de grande porte fundeados em alto-mar.
A Lion Mining atua há cerca de três anos em Piripiri e produz aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro por ano. Segundo o governo estadual, a empresa já investiu mais de R$ 150 milhões no estado e mantém cerca de 300 empregos diretos.
MP investiga obras e desapropriações no Porto Piauí
Ministério Público do Estado do Piauí instaurou, nesta quarta-feira (29), um procedimento preparatório de inquérito civil para investigar o processo de desapropriação e a execução das obras do Porto Piauí, em Luís Correia. A investigação foi aberta pela Promotoria de Justiça de Luís Correia após representação apresentada por moradores do bairro Beira Mar e terá prazo inicial de 90 dias para apuração.
A Portaria nº 47/2026 aponta possíveis irregularidades relacionadas ao pagamento de indenizações às famílias atingidas pelas desapropriações, à ausência de respostas da Secretaria de Administração do Estado (SEAD) a dois ofícios enviados pelo Ministério Público e às condições de segurança no canteiro de obras.
Durante inspeção realizada em 10 de julho, o órgão constatou trechos sem tapumes ou cercamento adequado, permitindo a circulação de moradores, crianças e animais em áreas com máquinas pesadas. O procedimento também reúne relatos de problemas respiratórios atribuídos à poeira gerada pelas obras e destaca que o avanço da implantação do porto ocorreu enquanto moradores afirmam ainda não terem recebido as indenizações previstas.
Como parte da investigação, o Ministério Público determinou o encaminhamento de um ofício ao governador Rafael Fonteles com 24 questionamentos, entre eles pedidos de informações sobre o cronograma de pagamento das indenizações, a situação dos imóveis desapropriados, as medidas adotadas para controle da poeira e o isolamento das áreas em obras. O governo estadual deverá prestar esclarecimentos ao órgão ministerial.