O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), classificou como “terrível” a crise migratória registrada em Ceuta, território espanhol no norte da África, e afirmou que o episódio serve como um alerta para os americanos sobre os impactos de políticas migratórias mais flexíveis.
Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que as imagens dos milhares de imigrantes tentando entrar em território espanhol poderiam se repetir nos Estados Unidos caso um candidato democrata vença as próximas eleições presidenciais.
“É terrível. Lembrem-se daquelas imagens. É assim que estaremos daqui a três anos se o lado errado vencer”, declarou o republicano.
Trump também relacionou o episódio europeu ao debate migratório nos Estados Unidos, tema que tem sido uma das principais bandeiras de seu governo. Desde que retornou à Casa Branca, o presidente adotou medidas de endurecimento das regras de imigração, incluindo operações de deportação e reforço da atuação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
Governo dos EUA
O Departamento de Estado americano também se manifestou sobre o episódio e classificou a entrada em massa de imigrantes em Ceuta como uma “grave violação da soberania” espanhola.
Em comunicado, o órgão afirmou que acompanha a situação e disse estar avaliando medidas para “defender” cidadãos americanos “em casa e no exterior”. O governo dos EUA ainda afirmou estar disposto a apoiar aliados europeus que adotem medidas semelhantes para reforçar o controle de fronteiras.
A pasta também responsabilizou o governo do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ao afirmar que sua política migratória teria contribuído para facilitar a entrada irregular de imigrantes na Europa.
Crise em Ceuta
A declaração de Trump ocorre após uma onda migratória que levou cerca de 60 mil pessoas a atravessarem a fronteira entre o Marrocos e Ceuta nos últimos dias. Durante as tentativas de entrada, pelo menos 34 pessoas morreram afogadas.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram grupos de migrantes atravessando o mar com boias e outros equipamentos improvisados para chegar ao território espanhol.
Ceuta e Melilla são territórios espanhóis localizados no continente africano e representam as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África. A localização faz das duas regiões uma das principais rotas para migrantes que tentam entrar no bloco europeu.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que redes de tráfico humano teriam incentivado a movimentação ao divulgar uma interpretação considerada “tendenciosa” de uma decisão judicial sobre repatriação de migrantes.
Segundo o Ministério do Interior da Espanha, cerca de 48 mil pessoas já retornaram ao Marrocos após a entrada irregular em Ceuta. O governo espanhol também reforçou a segurança na região com apoio militar e negocia com Rabat o retorno dos demais imigrantes.