O El Niño deve ganhar força nos próximos meses e atingir intensidade “muito forte” entre a primavera e o início do verão, elevando o risco de enchentes, estiagens, ondas de calor, queimadas e outros eventos climáticos extremos em diferentes regiões do Brasil. O alerta consta no Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado nesta segunda-feira (3).
O documento foi elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Segundo o boletim, há 100% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até o início de 2027 e 81% de chance de atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro, quando o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial supera 2°C.
Embora se forme no Oceano Pacífico, o El Niño altera a circulação atmosférica em diversas partes do planeta, influenciando o regime de chuvas e as temperaturas no Brasil. Os técnicos ressaltam, porém, que a intensidade dos impactos dependerá também da atuação de outros sistemas meteorológicos.
Sul terá maior risco de enchentes
A região Sul deverá concentrar os maiores impactos provocados pelo excesso de chuva. A previsão indica precipitações acima da média, maior ocorrência de temporais, elevação do nível dos rios e aumento do risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.
O boletim destaca que, diferentemente do cenário registrado no início do El Niño de 2023, o solo da região já apresenta maior disponibilidade de água, o que pode favorecer transbordamentos diante de novos episódios de chuva intensa.
Na agricultura, a maior umidade pode beneficiar algumas culturas de inverno, mas também aumenta o risco de doenças fúngicas e pode dificultar a colheita e o manejo das lavouras.
Norte e Nordeste devem enfrentar estiagem
Para a região Norte, a expectativa é de redução das chuvas, temperaturas acima da média e prolongamento da estiagem, principalmente na Amazônia.
Os órgãos apontam que esse cenário tende a reduzir os níveis dos rios, comprometer a navegação, afetar o abastecimento de água e elevar significativamente o risco de incêndios florestais.
No Nordeste, a previsão também é de chuvas abaixo da média, especialmente na porção norte da região, além de temperaturas mais elevadas e maior pressão sobre reservatórios.
O levantamento mostra que cerca de 40% da região já enfrenta seca moderada, percentual superior ao observado no mesmo período de 2023, aumentando a vulnerabilidade diante do avanço do fenômeno.
Centro-Oeste e Sudeste terão calor acima da média
No Centro-Oeste, o El Niño deve atrasar o início do período chuvoso, prolongando a estiagem. A combinação entre calor intenso, baixa umidade do ar e redução das chuvas aumenta o risco de queimadas e incêndios florestais, sobretudo em áreas de vegetação nativa.
Já no Sudeste, a previsão indica temperaturas acima da média e possibilidade de ondas de calor mais prolongadas. Caso as chuvas da primavera atrasem, a seca poderá se intensificar rapidamente em parte da região.
Monitoramento e prevenção
Diante do cenário previsto, os órgãos federais recomendam que estados e municípios reforcem os planos de contingência e mantenham acompanhamento permanente das previsões meteorológicas e hidrológicas.
À população, a orientação é acompanhar os alertas emitidos pela Defesa Civil, manter atualizado o cadastro para recebimento de avisos sobre eventos extremos e conhecer previamente as áreas de risco e rotas de fuga em suas localidades.
Os boletins de monitoramento do Painel El Niño continuarão sendo divulgados ao longo da evolução do fenômeno para orientar ações de prevenção e resposta em todo o país.