Flávio Bolsonaro enviou Rogério Marinho para uma conversa com Gilmar Mendes, na última quarta-feira 2, com o objetivo de abrir o diálogo institucional que pretende ter com o STF a partir de janeiro de 2027. É um movimento estratégico em meio à mais profunda crise já vivida pela Corte. O candidato do PL sabe que o ódio de muitos ministros cresce na mesma medida de seu avanço nas pesquisas, e é preciso, não apenas ser eleito, mas poder tomar posse e governar para 100% dos brasileiros.
A visita ocorreu um dia depois de André Mendonça enviar a Edson Fachin pedido de abertura de investigação contra Alexandre de Moraes, após a Polícia Federal descobrir mais mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro — com indícios claros de corrupção e advocacia administrativa. Como registramos, Moraes reagiu de forma brutal e desesperada, pedindo a Fachin que investigue Mendonça, usando ilegalmente o inquérito das Fake News e um relatório bizarro de inteligência da PF.
Durante a semana, Flávio cobrou mais uma vez o impeachment de Moraes, Rogério pediu sua prisão. Na conversa com o decano, o coordenador político do presidenciável do PL colocou cada tema numa escaninho. O eventual impeachment do algoz da direita é assunto para o próximo Senado. Já o novo presidente está mais interessado em pisar no acelerador das reformas que o país necessita. Sua eleição será também uma virada de página na relação com o Supremo.
Espera-se que Gilmar compreenda o gesto de Flávio e reflita sobre o ônus de seguir apoiando Moraes, apesar das evidências de seus crimes no caso Master e da mudança de clima na imprensa. Fato é que o algoz de Jair Bolsonaro, antes festejado, virou persona non grata. Está cada vez mais isolado e vem sendo criticado de forma aberta por agentes políticos e econômicos antes alinhados. O ônus para o STF será ainda maior com a derrota de Lula.
7 DE SETEMBRO
Enquanto azeita as relações nos bastidores, Flávio tenta evitar manifestações públicas desarrazoadas de aliados contra o STF, no 7 de setembro. Em circular, o Jurídico da campanha listou algumas regras para o evento, tanto para quem vai discursar como para quem vai levar cartazes ou faixas.
O que pode:
- Fazer críticas políticas firmes ao STF, Congresso, Governo e demais instituições.
- Criticar decisões de ministros, autoridades e órgãos públicos.
- Defender mudanças de leis, decisões e entendimentos por meios constitucionais e democráticos. * Expressar opiniões políticas e ideológicas.
- Defender propostas e posições da campanha.
O que não pode:
- Fazer ameaça, ainda que em tom de brincadeira, contra ministros, autoridades ou instituições.
- Incentivar violência, agressões, invasões ou qualquer ato ilegal.
- Defender ruptura institucional ou impedir, mediante violência ou grave ameaça, o funcionamento dos Poderes.
- Acusar alguém de crime ou corrupção como fato sem informação verificável que dê suporte à afirmação.
- Divulgar informações eleitorais sabidamente falsas ou gravemente descontextualizadas.
- NÃO ATACAR SISTEMA ELEITORAL, URNAS E TSE.
- Fazer ataques relacionados a raça, religião, origem, deficiência ou outras características protegidas.
- Incentivar o público a praticar qualquer ato ilícito.
Leia também: