André Mendonça foi citado em conversas de Daniel Vorcaro com Ciro Soares. No diálogo, exibido pelo canal lulista ICL, o advogado relatou ao banqueiro que estava levando o ministro a um alfaiate em São Paulo. “Trabalhando por você”, escreveu. Ciro também conseguiu uma reunião com Mendonça, por meio do pastor Cezinha da Madureira. As mensagens viralizaram nas redes, numa tentativa da esquerda de nivelá-lo a Alexandre de Moraes.
O tiro saiu pela culatra.
Primeiro, o gabinete de Mendonça esclareceu que o ministro recebeu o advogado unicamente para tratar de um processo paralisado no STF envolvendo créditos de precatórios de interesse do Master. Demonstrou que seu voto posterior no caso foi contrário pretendido por Vorcaro, guiando-se pela impessoalidade. Depois, veio à tona a historinha do terno, sugerindo que Mendonça teria o recebido como ‘presente’.
Ontem, a assessoria do ministro forneceu à imprensa os extratos das compras que somam R$ 16,6 mil (R$ 10,5 mil do terno e o resto de camisas) na Alegrete Alfaiataria, tudo parcelado em três vezes e até quatro vezes sem juros. No print da fatura do cartão, aparecem ainda uma passagem aérea para São Paulo parcelada em duas vezes e um pacote de viagens parcelado em dez vezes, entre outras.
O STF QUE QUEREMOS
Num STF em que ministros ostentam relógios de quase R$ 1 milhão, o terno parcelado de Mendonça é um tremendo bode na sala. Há muito tempo, vemos os ocupantes da Corte constitucional vivendo como nababos, desfrutando de uma vida de luxos só acessível a bilionários. A maioria ali perdeu qualquer pudor e já nem se importa em parecer honesto. O desprezo à moralidade chegou a seu auge no caso Master, com Moraes ocupando o topo da lista.
Hoje, sabemos que “Alex” atuava para blindar Vorcaro, enquanto sua esposa assinava contratos que somam quase R$ 200 milhões, incluindo cotas de jatinho e helicóptero, além de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos. O terno parcelado de Mendonça expõe o abismo ético do plenário atual, o desespero de Moraes em tentar limpar sua lama na toga dos colegas e seu ato desavergonhado para afastar o relator dos casos Master e INSS.
O terno parcelado de Mendonça aumenta a pressão sobre Edson Fachin, defensor de um código de ética para os colegas e também constrange Cármen Lúcia, que passou os últimos anos apoiando decisões arbitrárias de Moraes sob a tola justificativa de defesa da democracia. Embora ambos tenham claro viés esquerdista, não parecem dinheiristas — e até onde sei, resistiram a investidas para corrompê-los. Que limpem os ouvidos para ouvir a voz das ruas.
Se há uma coisa que os 213 milhões de pequenos tiranos exigem é uma Corte Constitucional de gente impoluta.