Home Nóticias Lula quer banir as bets que ele e o PT ajudaram a regulamentar – Paulo Figueiredo

Lula quer banir as bets que ele e o PT ajudaram a regulamentar – Paulo Figueiredo

by admin
0 comentário


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que sancionou o marco legal das apostas em 2023 e orientou o PT a votar contra a exclusão dos cassinos on-line da legislação, agora promete, diante de uma acirrada disputa eleitoral, acabar com o setor.

O motivo? As bets retiraram R$ 62,5 bilhões da renda das famílias em 2025, segundo cálculos realizados pelo Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef) para o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).

Na quarta-feira (23), em evento de campanha com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, o presidente Lula foi enfático: “Eu terei o imenso prazer de acabar com as bets.” O Planalto finaliza a análise de medidas que devem endurecer as regras antes do primeiro turno.

As idas e vindas do PT em relação às bets

A tentativa de estabelecer restrições no marco legal dos jogos on-line começou no Senado. Em 12 de dezembro de 2023, os senadores aprovaram, por 37 votos a 27, a emenda do senador Carlos Portinho (PL-RJ), que limitava a regulamentação às apostas em eventos esportivos, deixando os jogos de cassino de fora. O texto voltou à Câmara com essa restrição.

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) apresentou destaque para manter a emenda do Senado, que excluía os cassinos on-line do marco legal. PT e governo orientaram a rejeição do destaque, e a bancada petista votou em bloco contra a manutenção da emenda. Na prática, a bancada referendou a reinclusão desses jogos no texto aprovado.

O episódio inverteu a trajetória do partido em relação aos jogos de azar. Em fevereiro de 2022, o PT anunciou voto contra o projeto que legalizava bingos e cassinos, então na pauta do plenário. Um ano depois, orientou a bancada a aprovar um marco que incluía os cassinos virtuais. Agora, às vésperas da eleição, o partido e o governo defendem o banimento.

A virada legislativa

O discurso de campanha não é a primeira iniciativa do partido contra as bets. Em 14 de abril, o deputado Pedro Uczai (PT-SC) apresentou o PL 1.808/2026, que proíbe as apostas de quota fixa em todo o território nacional — o equivalente ao fim da regulamentação do setor. Menos de um mês depois, em 7 de maio, Paulo Pimenta (PT-RS) protocolou o PL 2.258/2026, que proíbe a operação e a publicidade de caça-níqueis digitais e o “jogo do tigrinho” — sem atingir as bets. Ambos revogam trechos do marco legal, sancionado por Lula em dezembro de 2023.

O projeto de Uczai também prevê medidas de bloqueio de acesso, remoção de aplicações, interrupção de fluxos financeiros, responsabilização de intermediários e proteção de conteúdos de interesse público. A proposta passou a tramitar em conjunto com o PL 1.516/2025, do deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), apresentado um ano antes, e aguarda parecer do relator, deputado Gilson Marques (Novo-SC), na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC). O texto de Pimenta aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados.

Os questionamentos às bets não se restringem ao Legislativo. Uma série de ações sobre a validade dessas plataformas e de outros jogos online tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O plenário suspendeu, em 6 de agosto, o julgamento de um recurso sobre a validade de uma lei de 1941 que proíbe a exploração de jogos de azar.

O ministro Flávio Dino pediu mais tempo para análise, a fim de concluir o julgamento em conjunto com outras ações que tratam de outros tipos de jogos, como as apostas on-line, alvo de duas ações diretas de inconstitucionalidade, e fixar uma tese abrangente que reflita a posição da Corte sobre o tema.

O que pesa na conta do banimento?

Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na quarta-feira (23) mostra que três em cada quatro brasileiros concordam que as apostas on-line deveriam ser proibidas, segundo. A conta do banimento, porém, pode custar bilhões aos cofres públicos e criar incertezas jurídicas.

Um levantamento do Ministério da Fazenda mostra que já foram concedidas 85 autorizações a empresas do setor, cada uma ao custo de R$ 30 milhões — mais de R$ 2,5 bilhões que entraram nos cofres públicos somente com as outorgas. As empresas, no entanto, já fizeram uma série de outros investimentos para operar no Brasil e podem demandar judicialmente a União para tentar recuperar esses valores em caso de encerramento antecipado das autorizações.

O impacto das bets na economia

O crescimento acelerado do mercado de bets tornou-se um concorrente direto pelo orçamento doméstico, alterando a dinâmica do consumo e da arrecadação no país. Estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que a população movimenta R$ 30 bilhões por mês em apostas virtuais. Segundo a entidade, o avanço das apostas retirou do varejo o equivalente a dois Natais inteiros em vendas no período de três anos.

Embora o setor de apostas gere arrecadação tributária direta, a drenagem sobre a renda das famílias provoca desaceleração na atividade econômica e perdas indiretas de recolhimento que superam as receitas geradas pela atividade. Estudos indicam que a expansão das apostas contrai o consumo no comércio, eleva as taxas de inadimplência no crédito e amplia a desigualdade social.

O Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (USP) aponta, a partir de dados do Cicef, que, em 2025, a transferência líquida das famílias para as casas de apostas — a diferença entre o total apostado e os prêmios recebidos — foi de R$ 62,5 bilhões. Esse esvaziamento comprimiu o consumo, retirando entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica no país.

A retração equivale a uma perda entre 0,9% e 1,1% do PIB — de 40% a 50% de todo o crescimento da economia brasileira em 2025. Como essa perda se concentra entre famílias de menor renda, com maior tendência a consumir bens essenciais como alimentação e moradia, o impacto sobre o PIB é multiplicado. 

Além desse impacto, a expansão das apostas fragiliza a saúde financeira das famílias e o mercado de crédito. Relatório do BTG Pactual publicado em 11 de setembro mostra que o ato de começar a apostar eleva a probabilidade de inadimplência geral em 19,7% e a inadimplência no cartão de crédito em 38,7% após 12 meses. No mesmo período, os limites totais de crédito do apostador recuam cerca de 16%, e os saldos médios em conta corrente caem 43%.

Crédito Gazeta do Povo



Source link

You may also like

Design sem nome (84)

Sua fonte de notícias para brasileiros nos Estados Unidos.
Fique por dentro dos acontecimentos, onde quer que você esteja!

TV BRAZIL USA- All Right Reserved. Designed and Developed by STUDYO YO