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Secretário da Saúde enviou a Luchsinger portaria que elevou verba de Goiânia

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A lobista Roberta Luchsinger se ofereceu para ajudar a ampliar os repasses federais destinados à saúde de Goiânia. Cerca de seis meses depois, o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, enviou a ela a portaria que aumentou em R$ 77 milhões o teto de recursos para a prefeitura. As mensagens obtidas pelo Metrópoles mostram que o documento foi encaminhado 17 minutos depois de ser assinado pela então ministra da Saúde, Nísia Trindade.

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O aumento ocorreu durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz. Atualmente, Goiânia é administrada por Sandro Mabel. A prefeitura não apresentou esclarecimentos à reportagem.

secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa e Lula na foto. Imagem: Reprodução

Segundo o Ministério da Saúde, a ampliação do teto de Média e Alta Complexidade (MAC) fazia parte de um processo nacional de recomposição dos valores, que estavam represados havia anos. A pasta afirma que os pedidos foram submetidos a critérios técnicos e legais e tiveram o mesmo trâmite para estados e municípios.

A defesa de Berger também afirmou que as transferências seguiram critérios técnicos e legais. Em nota, classificou como “preocupante” o uso de “fragmentos de mensagens, vazados de forma seletiva” para sustentar interpretações sobre a atuação do então secretário-executivo.

Conversas começaram meses antes

Em outubro de 2023, Luchsinger procurou Quesede Ayres Henrique, então secretário-executivo da Secretaria de Saúde de Goiânia, para tratar do aumento dos recursos federais.

Em 18 de outubro, ela pediu informações sobre os limites de repasse do município nas modalidades MAC e Piso de Atenção Primária (PAP). Quesede informou que havia R$ 175 milhões disponíveis no MAC e outros R$ 104 milhões no PAP. A lobista respondeu: “Vou ver isso”.

Em dezembro daquele ano, Luchsinger também pediu a Berger uma reunião com Wilson Pollara, então secretário de Saúde de Goiânia. O secretário-executivo afirmou que queria antes uma conversa “séria” e “presencial” com a lobista. Não há confirmação, segundo a reportagem, de que a reunião com Pollara tenha ocorrido.

Portaria foi enviada após encontro em Brasília

A cronologia das mensagens ganha destaque em 30 de abril de 2024. Luchsinger informou a Berger que estava a caminho de Brasília e que levaria uma “lembrancinha”. O secretário-executivo respondeu que também queria encontrá-la para “atualizar conversas”.

A lobista chegou a Brasília às 15h50 e informou que estava com “Fábio”. Segundo a reportagem, ela se apresentava como sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Às 17h, Luchsinger avisou Berger: “Cheguei”. O encontro ocorreu antes de o secretário-executivo enviar a portaria.

Às 19h34, Nísia Trindade assinou o documento que ampliou em R$ 77 milhões o teto de repasses MAC para Goiânia. Às 19h51, Berger encaminhou a portaria para Luchsinger.

A defesa de Berger não detalhou a relação dele com a lobista na definição da portaria.

Ministério diz que aumento seguiu critérios técnicos

O Ministério da Saúde afirmou que o aumento do teto MAC começou a ser implementado em 2023. Segundo a pasta, os pedidos de ampliação são feitos exclusivamente pelas secretarias de Saúde e analisados pela equipe técnica.

Ao menos dez capitais tiveram aumento superior a 50%, de acordo com o Ministério. A pasta afirma que Goiânia não esteve entre as cidades que receberam os maiores reajustes e que os recursos foram destinados a uma maternidade municipal diante do risco de fechamento e desassistência.

O ministério também informou que Goiânia recebeu uma nova Unidade Básica de Saúde entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. Nesse período, foram construídas UBSs em 2.053 municípios de todos os Estados.

Luchsinger recebia comissões por intermediações

Reportagens anteriores do Metrópoles apontam que Luchsinger recebia comissões por atuar em demandas de clientes governamentais, incluindo a Prefeitura de Goiânia e o governo do Maranhão. Não há registro, segundo a reportagem, de contratos firmados diretamente entre a lobista e os governos. Parte dos pagamentos teria sido feita por empresários fornecedores do poder público.

A reportagem também cita uma operação da Polícia Civil de Goiás, realizada em dezembro de 2024, que investigou suspeitas de desvio de R$ 10 milhões na área da Saúde de Goiânia. Quesede Ayres e Wilson Pollara foram alvos da investigação.

As defesas de Luchsinger e de Quesede não apresentaram esclarecimentos à reportagem. A defesa do ex-prefeito Rogério Cruz afirmou que ele não conhecia nem manteve contato com a lobista.





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