O presidente Lula (PT) justificou ontem (1º) a decisão de não participar do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo. Em entrevista ao Flow Podcast, o petista afirmou preferir o formato de conversa com os apresentadores e resumiu a escolha: “Gosto mais de você do que da Globo”.
“Eu há tempos tenho questionado os debates da Globo. Eu fui em todos”, afirmou Lula. O presidente lembrou sua participação em debates de eleições anteriores e criticou o modelo com muitos candidatos, no qual cada concorrente dispõe de poucos minutos para responder antes de aguardar uma nova rodada.
Para o petista, a dinâmica dificulta uma discussão mais aprofundada entre os candidatos. Ele comparou o formato a um jogador que “dá um pique e volta para descansar” e defendeu, para uma eleição presidencial, debates com discussões mais longas e contínuas.
“Eu, sinceramente, acho que os debates estão infrutíferos, não produzem nada, não dão sequência”, declarou. Segundo o presidente, o modelo também acaba privilegiando “piada” e “pegadinha” em vez do debate de propostas.
Lula disse ainda considerar mais adequado um formato em que os candidatos respondam às mesmas perguntas, levando em conta o desempenho de cada candidatura nas pesquisas. “Você não pode pegar uma pessoa que tem 49% e levar para disputar com uma pessoa que tem 1%. É desproporcional até para o telespectador”, afirmou.
A campanha de Lula comunicou oficialmente à Globo que o presidente não participaria do debate desta quinta-feira. O encontro estava marcado para as 21h30 e seria o último debate presidencial antes do primeiro turno, marcado para domingo (4/10).
O debate acabou cancelado após uma sequência de decisões judiciais e das desistências de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), sendo que o senador deixou de participar somente após as medidas. A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha proibiu a Globo de manter no estúdio o púlpito reservado a Lula e de permitir que os candidatos presentes dirigissem perguntas ao petista. Em seguida, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no confronto.