A decisão do ministro André Mendonça, no âmbito da Operação Compliance Zero, detalha o que a Polícia Federal afirma pesar contra Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro. Segundo a investigação, ele atuava como “demandante, beneficiário e operador financeiro” do núcleo criminoso conhecido como “A Turma”, apontado como responsável por ameaças, levantamentos clandestinos, obtenção de informações sigilosas e monitoramento de alvos.
A PF sustenta que Henrique Vorcaro mantinha atuação conjunta com o filho dentro da estrutura investigada. O documento afirma que ele continuou acionando integrantes do grupo mesmo após as primeiras fases ostensivas da operação.
PF aponta Henrique como peça central no financiamento do grupo
Segundo a decisão, a investigação identificou diálogos que indicariam participação direta de Henrique Vorcaro na sustentação financeira do núcleo criminoso.
Em uma das conversas reproduzidas pela PF, Marilson Roseno da Silva cobra pagamentos e afirma estar “segurando uma manada de búfalo”. Henrique responde:
“Assim que isso ocorresse, imediatamente enviaria 400”.
Na sequência, Marilson rebate:
“O ideal seria o envio de 800k”.
A investigação afirma que os valores seriam compatíveis com o custeio mensal da estrutura conhecida como “A Turma”. Segundo a PF, o núcleo recebia cerca de R$ 400 mil mensais, enquanto o braço hacker chamado “Os Meninos” receberia pagamentos de R$ 75 mil para integrantes da operação digital.
O documento afirma que Henrique não aparecia apenas como beneficiário dos serviços ilegais, mas como uma das “engrenagens centrais” do financiamento do grupo.
Grupo teria sido usado após avanço da operação
A PF afirma que Henrique Vorcaro continuou recorrendo ao grupo mesmo depois das primeiras fases da Operação Compliance Zero.
Em diálogo citado na decisão, ele afirma:
“No momento em que estou é que preciso de vocês”.
Para os investigadores, a mensagem demonstra manutenção do vínculo operacional com a organização mesmo após o início ostensivo das apurações.
A decisão afirma que os diálogos revelam “relação estável de troca”, na qual Henrique financiava a estrutura e utilizava os serviços prestados pelo grupo.
PF aponta suspeita de ocultação e uso de linha estrangeira
O documento também descreve comportamentos interpretados pela PF como tentativa de dificultar rastreamento das comunicações.
Segundo a investigação da Polícia Federal, conversas mantidas entre Henrique Vorcaro e Marilson Roseno teriam sido apagadas do aparelho utilizado pelo policial federal aposentado. Os investigadores também apontam que Henrique trocava de número telefônico com frequência, passou a utilizar linha registrada na Colômbia e adotava mudanças recorrentes de aparelhos celulares ao longo do período monitorado.
A decisão afirma que as circunstâncias seriam compatíveis com “padrão de ocultação e precaução normalmente associado a estruturas criminosas sofisticadas”.
Reuniões monitoradas pela PF
A investigação também relata encontros envolvendo:
- Felipe Mourão;
- Manoel Mendes Rodrigues;
- Sebastião Monteiro Júnior;
- Marilson Roseno da Silva;
- Henrique Vorcaro.
Segundo a PF, após reunião monitorada em março de 2026, houve contatos telefônicos entre Felipe Mourão e Henrique Vorcaro em horários coincidentes com diligências de campo realizadas pelos investigadores.
A decisão ainda afirma que Marilson informou à esposa que estava em reunião com “H” na empresa One Investimentos. A PF sustenta que a referência seria a Henrique Vorcaro.
Suspeita de acesso clandestino a informações sigilosas
Outro trecho da decisão trata de consultas indevidas em sistemas da própria Polícia Federal.
Segundo o documento, Marilson Roseno teria acionado policiais federais para descobrir informações sobre inquérito envolvendo Henrique Vorcaro.
Uma das mensagens reproduzidas pela PF afirma:
“Um parceiro vai encontrar comigo aqui e vai trazer uma sucinta aqui”.
A mensagem teria sido enviada junto de uma imagem de intimação relacionada a Henrique Vorcaro.
A investigação afirma que o episódio indica uso da estrutura para obtenção clandestina de informações protegidas por sigilo funcional.
PF aponta continuidade financeira do esquema
A decisão também menciona emissão de notas fiscais da empresa ROSENO & RIBEIRO GESTÃO em favor da KING PARTICIPAÇÕES, ligada a Felipe Mourão. Segundo a PF, os documentos reforçam a tese de manutenção financeira da estrutura mesmo após fases ostensivas da operação.
O documento afirma que os pagamentos ocorreram entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026.
A decisão afirma que a atuação atribuída a ele seria “estruturalmente relevante para a manutenção do grupo criminoso”.
Até o momento, não há condenação definitiva contra Henrique Vorcaro. A investigação segue em andamento no STF.