Durante o programa ALive desta sexta-feira (15), o CEO do Instituto Combustível Legal, Emerson Kapaz, disse que o cerco contra Ricardo Magro foi se fechando por meio de diversas operações e que, apenas na ação de hoje, foi culminado o pedido de prisão e inclusão do dono da Refit na lista da Interpol.
Segundo a Polícia Federal (PF), a ação deflagrada nesta manhã investiga a suspeita de que a Refit utilizou sua estrutura societária e financeira “para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior”.
Para Kapaz, o pedido de inclusão de Magro na lista da Interpol vai fazer com que ele “não possa mais circular durante os países que ele circula no mundo todo” e as operações ilegais do empresário, que mora nos EUA desde 2016, “vão ter muito mais dificuldade de acontecer”.
A investigação de hoje, segundo a PF, apura possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria vinculada ao grupo de Magro.
De acordo com a Receita, o grupo Refit é o maior “devedor contumaz” do país, com débitos superiores a R$ 26 bilhões junto à União e aos estados. Só em São Paulo, segundo o governo estadual, as dívidas somam R$ 9,6 bilhões.
No entanto, de acordo com Kapaz, a dívida da Refit, atualmente, “está chegando, se somarmos tudo, dívida de São Paulo, Rio e poucos em alguns outros estados, quase 39 bilhões de reais”: “39 bilhões de reais em ICMS. Dívida que poderia construir centenas de hospitais, carros para a Polícia Militar, saúde, postos de saúde. Então, assim, é uma coisa inacreditável”.
Ainda segundo o CEO do Instituto Combustível Legal, a operação de hoje evidenciou o “comprometimento” do governo do Rio com a Refit. Um dos alvos da ação de hoje foi Cláudio Castro, que, de acordo com a PF, atuou, enquanto governador do Estado, para proteger e favorecer os interesses de Magro.
Kapaz listou o “trabalho” do governo Castro em prol da Refit, como a flexibilização na fiscalização e a demissão de procurador que era contra a “facilitação” da renegociação da dívida do grupo de Magro.
O CEO disse ainda que Ricardo Magro se vende como “vítima” de um cartel “que tenta impedir que ele consiga fazer uma venda com preço mais barato”: “É óbvio, vender mais barato com sonegação é fácil. Todo mundo ia ganhar mercado, porque é um setor altamente tributado”.
A Refit, de acordo com Kapaz, “vendia no Rio de Janeiro mais do que a Petrobras” devido aos esquemas de Magro: “Como que é possível ele falar em cartel se ele conseguia vender no Rio de Janeiro mais do que a Petrobras? E vendia porque tinha esse diferencial competitivo [sonegação], que pouca gente se arrisca a ter, pra você manter a sua empresa séria e com controle, pra que você não tenha risco de ter mandado de prisão no dia seguinte na sua residência”.
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