O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, acusou nesta segunda-feira (31) a cúpula do Congresso Nacional de acelerar a tramitação de propostas de interesse do governo Lula (PT) com objetivo eleitoral. Para o parlamentar, o calendário de votações não está sendo definido pelo interesse público, mas pela tentativa de favorecer a permanência do petista no Palácio do Planalto.
“Nós estamos vendo que essa votação não está levando em consideração o interesse público ou do país, está levando em consideração a necessidade de se manter um presidente no poder”, afirmou Marinho durante evento promovido pelo BTG Pactual.
A crítica ocorre após a reaproximação entre Lula e os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP). Os três se reuniram na última quarta-feira (26), no Palácio da Alvorada. Depois do encontro, Alcolumbre anunciou uma agenda de votações que inclui propostas defendidas pelo governo.
Na avaliação de Marinho, a reunião alterou o ritmo de projetos que enfrentavam dificuldades para avançar no Congresso.
“Essa foto significou que alguns projetos de lei que estavam interditados dentro do Congresso Nacional começassem a tramitar”, disse.
Entre as matérias estão a PEC que reduz a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1, a proposta de emenda da Segurança Pública, medidas relacionadas a minerais críticos e o programa de incentivos para data centers. Também está na agenda a medida provisória que encerra a chamada “Taxa das Blusinhas”.
Escala 6×1 vira alvo da disputa
Marinho concentrou parte das críticas na proposta que reduz a jornada semanal de trabalho. O texto é defendido pelo governo Lula e tem forte apelo entre trabalhadores.
Para o senador, a discussão deveria ficar para depois do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Ele afirmou que a proximidade das eleições pode influenciar a posição de parlamentares que disputarão a própria permanência no Congresso.
“Eu acredito que vai ser só na CCJ e espero, sinceramente, que seja um projeto que possa ser votado após as eleições, sem a contaminação do processo eleitoral”, afirmou.
O coordenador da campanha de Flávio também avaliou que Lula busca uma medida de forte apelo popular para melhorar sua posição na disputa presidencial. Segundo Marinho, a redução da jornada poderia ser utilizada pelo petista como uma conquista eleitoral.
A estratégia da oposição é retardar a análise da PEC no Senado. O PL apresentou alterações ao texto aprovado pela Câmara e deve usar instrumentos regimentais para ampliar o debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Entre as mudanças defendidas pelos senadores está a criação de um período de transição para a nova jornada e a ampliação do espaço para que acordos e convenções coletivas definam a organização do trabalho.
Disputa eleitoral chega ao Congresso
Marinho também citou a aproximação entre Lula, Motta e Alcolumbre como parte do cenário eleitoral. O presidente da Câmara já declarou apoio à candidatura de Lula, enquanto Alcolumbre ainda não anunciou publicamente uma preferência na corrida pelo Planalto.
O senador do PL ainda relacionou a articulação nacional à disputa eleitoral na Paraíba. O pai de Hugo Motta, Nabor Wanderley (Republicanos), concorre ao Senado em uma aliança que apoia Lula, enquanto o PL está em um grupo adversário no Estado.
Durante o evento, Marinho ampliou afirmou que a principal medida de ajuste fiscal seria retirar o PT do poder.