O Banco Master pagou R$ 3,4 milhões ao escritório Barci de Moraes, de propriedade da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em março de 2024. O repasse ocorreu minutos depois de uma cobrança feita pelo então deputado e ex-ministro Fábio Faria ao banqueiro Daniel Vorcaro.
As mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram que Faria procurou Vorcaro na tarde de 15 de março daquele ano para tratar do pagamento. Às 14h58, o ex-ministro escreveu: “Depois vê aí que preciso retornar o careca”.
Vorcaro respondeu que o assunto deveria ser tratado com Angelo Silva, então ligado ao Banco Master. Poucos minutos depois, às 15h07, Faria voltou a cobrar: “Manda pagar a ele. O Careca não pode atrasar”.
Enquanto a cobrança era feita, Vorcaro também pressionava internamente pela liberação do dinheiro. Às 15h05, o banqueiro demonstrou irritação com a demora em uma conversa com Angelo.
“Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não tô entendendo isso. Contrato mais importante que temos. Te pedi para não falhar. Surreal. Vamos ter problemas”, escreveu Vorcaro.
Na sequência, às 15h06, o banqueiro foi direto na ordem: “Manda pagar agora”.
O pagamento de R$ 3,4 milhões foi efetuado poucos minutos depois das mensagens. O intervalo entre a cobrança de Faria e a liberação do dinheiro reforça a urgência dada por Vorcaro ao repasse.
“Pagamento mais importante que temos”
Após a transferência, Vorcaro voltou a orientar funcionários para que os pagamentos ao escritório não sofressem novos atrasos.
Às 15h17, enviou a uma funcionária: “Esse Barci Moraes por favor não deixe atrasar um dia, coloca no sue controle. É o pagamento mais importante que temos”.
Na mesma conversa, o banqueiro afirmou que os pagamentos poderiam ser realizados mesmo sem a emissão de nota fiscal pelo escritório, indicando que a documentação fiscal não deveria impedir a transferência dos valores.
O pagamento ocorreu no contexto do contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. A relação profissional entre a instituição financeira e o escritório da mulher do ministro passou a ser alvo das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
As mensagens fazem parte do material apreendido pela PF durante a apuração sobre as relações de Vorcaro com autoridades e agentes públicos. O conteúdo foi incorporado ao conjunto de documentos analisados no caso Master.
Pressão por pagamento
Os diálogos mostram que a cobrança pelo repasse ocorreu simultaneamente em duas frentes. Faria procurou diretamente Vorcaro para pedir que o pagamento fosse realizado, enquanto o próprio banqueiro cobrava integrantes da instituição financeira e classificava o contrato como uma das principais obrigações do banco.
A sequência registrada nas mensagens é objetiva: às 14h58, Faria cobra Vorcaro; às 15h05, o banqueiro reclama internamente sobre o atraso; às 15h06, determina o pagamento imediato; às 15h07, Faria reforça a cobrança; e, na sequência, os R$ 3,4 milhões são transferidos ao escritório.