Casa Nóticias Bancos endurecem concessão de crédito com avanço da inadimplência

Bancos endurecem concessão de crédito com avanço da inadimplência

por admin
0 comentário

O aumento da inadimplência e a manutenção dos juros em patamar elevado levaram os principais bancos privados do país a adotar uma postura mais conservadora na concessão de crédito. Executivos das instituições falaram para a Folha que o cenário para novos empréstimos deve permanecer desafiador ao longo de 2026.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, afirmou que o banco prefere reduzir o ritmo de expansão da carteira de crédito para limitar a exposição ao risco de calotes.

“Eu acho que o ciclo do crédito vai ser desafiador. Vivemos hoje um excesso de crédito dado pelo mercado.”

Segundo o executivo, a instituição optou por abrir mão de crescimento e participação de mercado para evitar aumento da inadimplência.

No Bradesco, a estratégia segue a mesma direção. O presidente da instituição, Marcelo Noronha, afirmou que o banco tem reduzido a oferta de crédito pessoal e priorizado operações com garantias.

“Não estamos fazendo loucura. Estamos reduzindo o crédito pessoal e fazendo colateralizado.”

Bancos reforçam reservas contra calotes

A cautela também aparece nos balanços financeiros. Itaú Unibanco, Bradesco e Santander reservaram, juntos, R$ 28,7 bilhões para cobrir possíveis perdas com inadimplência no segundo trimestre deste ano, alta de 12,4% em relação ao mesmo período de 2025.

No mesmo intervalo, a carteira de crédito dos três bancos cresceu 9,4%, alcançando R$ 3,37 trilhões.

Em maio, a inadimplência do sistema financeiro atingiu 4,74% dos empréstimos com atraso superior a 90 dias, o maior percentual da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. Em junho, após o início do Desenrola 2.0, o índice recuou levemente para 4,68%, ainda acima da média histórica de 3,29%.

Juros altos e renda pressionada elevam risco

Economistas apontam que a combinação entre juros elevados, inflação e elevado comprometimento da renda das famílias tem reduzido a capacidade de pagamento dos consumidores e das empresas.

Segundo Flávio Ataliba, pesquisador do FGV IBRE, além da Selic em 14%, o mercado passou a projetar juros elevados por mais tempo em razão das preocupações com o cenário fiscal.

O comprometimento da renda das famílias também permanece próximo do maior nível da série histórica do Banco Central. Em janeiro, o endividamento atingiu 49,93% da renda acumulada em 12 meses, percentual que se manteve próximo desse patamar até maio.

Apesar da taxa de desemprego permanecer em níveis reduzidos, especialistas avaliam que a desaceleração da atividade econômica tende a manter a inadimplência elevada durante o segundo semestre.

Crédito com garantia ganha espaço

Diante desse cenário, os bancos passaram a concentrar a oferta em modalidades consideradas de menor risco, como crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, financiamentos imobiliários e de veículos, além de linhas garantidas pelos fundos FGI e FGO para pequenas e médias empresas.

O Santander atribuiu o aumento das provisões ao ambiente macroeconômico. Analistas avaliam que o banco ainda atravessa um processo de ajuste da carteira de crédito e de reconhecimento de riscos.

No caso do Itaú, embora a inadimplência continue sendo a menor entre os grandes bancos, a instituição revisou para baixo sua projeção de crescimento das receitas com serviços e seguros em 2026, citando maior volatilidade do mercado e desaceleração da atividade econômica.

Já o Bradesco informou que espera uma desaceleração gradual nas concessões de crédito ao longo do restante do ano, mantendo uma política mais seletiva na aprovação de novos empréstimos.





Source link

Você pode gostar também

Design sem nome (84)

Sua fonte de notícias para brasileiros nos Estados Unidos.
Fique por dentro dos acontecimentos, onde quer que você esteja!

TV BRAZIL USA- All Right Reserved. Designed and Developed by STUDYO YO