Júlio Cezar Miranda, apontado como operador de Alexandre Padilha no Banco Master, registrou há quatro meses, na Junta Comercial de São Paulo, um aumento do capital social de sua empresa, a Exclusivo Participações S/A, de R$ 10 mil para R$ 770 milhões.
Na mesma alteração contratual, ele inclui como sócia outra CNPJ sua (Julio Cezar Miranda Assessoria Ltda), transforma a empresa de Limitada em Sociedade Anônima e transferiu o endereço para um escritório virtual no número 1811 da Av. Faria Lima, na capital paulista.
Segundo ata de acionistas arquivada na Jucesp e obtida pela reportagem, Júlio se autonomeou diretor, com três anos de mandato e remuneração mensal de R$ 60 mil. Ele decidiu, no momento, não instalar o Conselho Fiscal. No documento, não há explicação sobre a origem dos mais de R$ 700 milhões integralizados.
Como mostrou a Veja mais cedo, Júlio Cezar acompanhou Daniel Vorcaro em pelo menos duas reuniões no Palácio do Planalto, na época em que Padilha era ministro de Relações Institucionais da Presidência. Planilhas de controle de acesso, obtidas via LAI, mostram entradas em 1 de março e 3 de abril de 2024.
Em sua proposta de delação, Vorcaro contou que esteve com Padilha e Olavo Noleto, seu secretário-executivo. “Nesse dia, estavam também o assessor Olavo, Fernando, o primo desse Olavo, e o próprio Júlio. Nessa conversa, Padilha mais ouviu do que falou, mas afirmou que ‘o que eu tratasse com Olavo seria como se eu estivesse tratando com o próprio Padilha”, explicou o banqueiro
Depois, segundo ele, Júlio, Olavo e seu primo tiveram uma nova reunião reservada em Brasília, para uma “conversa aberta”, na qual trataram da entrada no Master nos fundos de pensão dos servidores do Banco do Brasil, da Petrobras e do Postalis. “Só haveria um jeito de entrar na Previ, Petros e Postalis: mediante pagamento de propina na ordem de 10% de tudo o que o banco captasse.”
A meta era o Master captar R$ 10 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão seriam repassados ao PT. Na proposta de delação rejeitada pela PGR, Vorcaro diz que Júlio pediu um sinal de R$ 500 mil, logo quando o governo autorizou formalmente o Master a operar nos fundos, incluindo a instituição na chamada “lista exaustiva”.
O grupo de Padilha, segundo as investigações, teria recebido um total de R$ 6 milhões em propina. Vorcaro também teria pago outros R$ 30 milhões ao Instituto Lula.