O deputado federal André Janones (Rede-MG) usou o canal Exército do Lula, no WhatsApp, para orientar apoiadores a pesquisar termos negativos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Google. A ação ocorreu durante o debate presidencial da Band, no domingo (18). O alvo era o Google Trends. A emissora exibia na transmissão as buscas mais frequentes da noite.
A primeira mensagem começa assim: “Tarefa urgente! Para contabilizar nas pesquisas da rede, vão agora no Google e pesquisem esses termos aqui”. A lista trazia três expressões: “Flavio miliciano”, “Flávio ana Clara” e “Flávio comando Vermelho”.
O texto também explicava a lógica da ação: “Porque assim, essas buscas sobem nos google trends, e a band tá anunciando quais são as principais buscas no Google”.
Outra mensagem, com o título “Guerrilha digital”, ampliou a lista. O comando era direto: “Todo mundo pesquisando no Google”. Na sequência vinham cinco termos: “Flavio Bolsonaro milícia”, “Flávio Bolsonaro rachadinha”, “Flávio Bolsonaro Adriano da Nóbrega”, “Flávio Bolsonaro Ana Clara” e “Flávio Bolsonaro Chocolate”.
Termos chegaram às tendências
Segundo o Poder360, as três primeiras expressões apareceram entre os assuntos em alta no Brasil menos de 40 minutos depois da orientação. A mensagem somava cerca de 56 mil encaminhamentos. “Flávio rachadinha” passou de 50 mil buscas. O ICL Notícias registrou mais de 1 milhão de pesquisas relacionadas a “Flávio miliciano”.
Os números têm limite. O Google Trends agrupa consultas diferentes sob o mesmo assunto. Flávio também citou o Comando Vermelho no debate, e a menção motiva buscas espontâneas. Por isso, não há como medir quantas pesquisas partiram da orientação de Janones.
Hashtags no X
O canal também orientou publicações no X ao longo do debate. A lista incluiu #AbreOSigiloFlavio, apontada por Janones como prioridade, e #LulaVenceDebateDaBand, a mais encaminhada da noite, com cerca de 24 mil compartilhamentos, segundo o Poder360.
Canal já foi suspenso pelo TSE
O Exército do Lula reúne mais de 5 milhões de seguidores. O Tribunal Superior Eleitoral já suspendeu o canal duas vezes. No dia 11, o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, atendeu a um pedido da campanha de Flávio, que acusa o canal de espalhar desinformação. A defesa do senador também pediu ao TSE uma investigação sobre a atuação de Janones.
Flávio lançou no dia 8 a Tropa do Flávio, grupo no WhatsApp para distribuição de material de campanha.