Durante o programa ALive desta quarta-feira (16), o conselheiro federal da OAB Marcelo Tostes afirmou que a sessão de ontem (15) do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisaria a abertura de uma investigação sobre a relação de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, pareceu mais um “jogo de várzea” que um julgamento.
“Estava parecendo mais um jogo de várzea de Brasil x Argentina. A rivalidade a gente já conhecia das duas torcidas, mas que existiria aquele baixo nível, aquela confusão, a gente tinha dúvida que pudesse chegar àquele ponto”, declarou o advogado.
“A gente está numa situação em que [é] aquela situação do poste e do cachorro, capaz do poste ser julgado antes do cachorro”, continuou Tostes, falando sobre a possibilidade de, na semana que vem, ministros pró-Moraes quererem votar abertura de investigação contra André Mendonça antes de deliberar sobre Moraes.
“É um negócio absurdo que a gente está vivendo, porque a gente não sabe quantos dias de prazo o Dino vai ter com esse pedido de vista dele. Então realmente, essa Suprema Corte nossa envergonha toda a Justiça”, completou o conselheiro da OAB.
Ainda de acordo com Tostes, ele tem certeza de que os juízes e desembargadores “sérios” do Brasil devem estar “completamente envergonhados” com a sessão de ontem (15), na qual ministros pró-Moraes ficaram atrasando o julgamento do ministro.
“Os juízes e desembargadores de primeira e segunda instância são super respeitados, têm feito um papel bacana, mas a Suprema Corte, ela envergonha a gente todos os dias”, completou, criticando também a OAB, que “não vem cumprindo seu papel institucional”:
“A OAB precisa ser dura, precisa ser honesta com mais de 1 milhão e 400 mil advogados no sentido de fazer aquilo que o advogado deseja. E é por isso que eu defendo, a eleição direta para presidente do Conselho Federal da OAB”.
Ainda no âmbito das críticas à OAB, destacou que vem, desde o ano passado, tentando emplacar o afastamento de Moraes na entidade, mas que a presidência do Conselho não delibera sobre o assunto. Tostes ainda salientou que, nessa semana, “não foi permitido se votar a respeito do pedido” que fez para afastar Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Paulo Gonet.