O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que determinou à Polícia Federal (PF) a identificação de pessoas mencionadas em relatórios sobre Daniel Vorcaro para esclarecer quem integraria uma suposta rede de influência comandada pelo dono do Master. A partir desse trabalho, foram identificados diálogos entre o banqueiro e Alexandre de Moraes.
A explicação foi apresentada em manifestação enviada na noite de ontem (14) ao presidente do STF, Edson Fachin, que havia solicitado informações a Mendonça, Moraes, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O plenário da Corte analisa hoje, a partir das 10h, o relatório da PF sobre as mensagens entre Vorcaro e Moraes.
Entre os questionamentos apresentados por Fachin estavam as circunstâncias da ordem para identificar pessoas citadas no material da PF, o cumprimento das regras para investigações envolvendo autoridades com foro e possíveis acessos ou vazamentos de informações sigilosas.
Mendonça afirmou que dados extraídos do celular de Vorcaro indicaram que o ex-banqueiro teve acesso antecipado a informações sobre investigações em andamento que poderiam prejudicá-lo. O material também apontou que Vorcaro buscava intervir junto a autoridades envolvidas nos processos.
Diante da indicação da PF de que ainda havia integrantes da suposta organização criminosa não identificados, o ministro determinou aos delegados responsáveis pela Compliance Zero que apresentassem, em 72 horas, informações atualizadas sobre os integrantes da chamada “rede de influência e monitoramento” de Vorcaro.
A ordem foi entregue pessoalmente aos delegados no gabinete de Mendonça, em 24 de agosto, às 17h40. Segundo o ministro, um dos documentos mencionava o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em uma nota enviada por Vorcaro a um interlocutor ainda não identificado.
“Diante da menção direta à pessoa do atual Diretor-Geral da Polícia Federal, bem como do Procurador-Geral da República, por cautela, buscando preservar a higidez dos autos e a eficiência das investigações — sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja —, impunha-se […] a adoção de providência”, afirmou.
Mendonça disse ainda que adotou a medida “por cautela”, para preservar o sigilo e a condução da investigação. Segundo o ministro, a providência seguia parâmetros utilizados desde o início da apuração, como a compartimentação das atividades policiais, a preservação do sigilo e a restrição do acesso às informações a setores da PF que não participavam diretamente do caso.
A decisão também determinava que a ordem fosse entregue “em mãos” aos delegados responsáveis.