A Polícia Federal afirma que o advogado Willer Tomaz comandava uma estrutura financeira usada para administrar patrimônio, pagamentos e ativos ligados ao senador Weverton Rocha (PDT-MA). A descrição consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta terça-feira (4). Segundo a investigação, a rede reunia empresas, imóveis, aeronaves, operadores financeiros e familiares do parlamentar para ocultar a origem e a circulação de recursos sob apuração.
Na decisão, a Polícia Federal afirma que Willer Tomaz atuava como o principal elo entre os recursos e o patrimônio atribuído ao senador. Os investigadores descrevem o advogado como responsável por uma estrutura formada por empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos. O documento afirma que esse conjunto “funcionaria como verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” colocado à disposição dos beneficiários da suposta organização.
Segundo a investigação, os valores não seguiam um único caminho. A movimentação passava por empresas distintas, contas de familiares, contratos de mútuo, depósitos em espécie e bens registrados em nome de terceiros. Para a PF, esse modelo dificultava a identificação do verdadeiro proprietário dos recursos e do patrimônio.
Papel atribuído a Weverton
A decisão afirma que Weverton Rocha aparecia como responsável por formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar da aquisição de imóveis e orientar decisões patrimoniais. Já Willer Tomaz exerceria a função de operador da estrutura financeira, com influência sobre empresas, imóveis e a logística usada pelo grupo investigado.

“Segundo a representação, pessoas e empresas associadas ao seu nome estariam vinculadas a pagamentos, saldos, imóveis, aeronaves, pilotos e operadores financeiros“, descreve o ministro na decisão.
Empresas, postos e patrimônio
A investigação aponta que empresas como Rocha Holding, Jota Comunicação e DJ Agropecuária passaram a concentrar parte das movimentações financeiras a partir de 2024. Os investigadores também citam os postos Petro São Francisco e Petro São José como canais para repasses destinados à compra de propriedades rurais, terrenos, máquinas agrícolas e transferências para empresas ligadas ao núcleo investigado.
Outro eixo da apuração envolve uma residência no Lago Sul, em Brasília. Segundo a decisão, Weverton Rocha participou das tratativas para a compra do imóvel, em negociações que mencionaram R$ 4 milhões de entrada e R$ 2 milhões de saldo. A aquisição, porém, foi formalizada em abril de 2023 pela WT Administração de Imóveis e Bens S.A., empresa vinculada a Willer Tomaz, pelo valor de R$ 6 milhões.
Segundo a Polícia Federal, os recursos não seguiam um único caminho. A investigação descreve um fluxo fragmentado, com circulação por empresas, contas pessoais e familiares, contratos de mútuo, depósitos em espécie e bens registrados em nome de terceiros, estratégia que, em tese, dificultava a identificação do beneficiário econômico dos ativos.
Dinheiro em espécie e aeronaves
A Polícia Federal também descreve uma rotina de pagamentos em dinheiro vivo associada ao uso de aeronaves particulares. Os investigadores apontam registros de entregas em espécie, deslocamentos entre Brasília e o Maranhão e lançamentos financeiros relacionados a voos privados. A decisão afirma ainda que a estrutura logística atribuída a Willer Tomaz justificou o pedido de localização do advogado por meio das Estações Rádio-Base (ERBs) durante o cumprimento dos mandados.
Operação
Nesta terça-feira (4), a Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF contra Willer Tomaz, familiares e pessoas ligadas ao senador. A investigação apura os crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa em um desdobramento da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes em descontos associativos sobre benefícios do INSS. Durante as diligências, os agentes apreenderam dinheiro em espécie e uma máquina de contar cédulas