O anúncio do reajuste do Bolsa Família não foi acompanhado, até agora, por aumento na intenção de voto em Lula entre os beneficiários do programa. Na nova pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 21, 64% dos entrevistados que recebem o benefício ou moram com algum beneficiário dizem votar no presidente no primeiro turno, exatamente o mesmo percentual registrado na rodada anterior.
A pesquisa foi realizada entre 18 e 20 de setembro, após o governo anunciar, em 17 de setembro, o reajuste de 15,04% do Bolsa Família. O piso passou de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio estimado subiu para R$ 777.
No recorte de beneficiários ou moradores de domicílios atendidos pelo programa, Flávio Bolsonaro passou de 20% para 17%. Augusto Cury foi de 6% para 8%, enquanto Ronaldo Caiado aparece com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 1%.
Entre os entrevistados que não recebem o Bolsa Família e não vivem com beneficiários, Lula registra 40% e Flávio, 36%. Na rodada anterior, os dois tinham 39% cada.
A comparação entre as duas rodadas não permite atribuir ao reajuste uma mudança específica no comportamento eleitoral. O intervalo entre o anúncio da medida e a coleta das entrevistas foi curto, e as oscilações precisam ser consideradas dentro da margem de erro.
A pesquisa também mostra mudanças na avaliação do governo. A aprovação passou de 47% para 46%, enquanto a desaprovação subiu de 49% para 50%. Na avaliação qualitativa, as respostas “ótimo” e “bom” somaram 35%, ante 37% na rodada anterior. “Ruim” e “péssimo” chegaram a 46%, contra 44%.
Reajuste do Bolsa Família
O aumento de 15,04% elevou o valor mínimo do programa de R$ 600 para R$ 691. Segundo o governo, o reajuste recompõe a inflação acumulada pelo INPC desde 2023. A estimativa oficial aponta benefício médio de R$ 777.
O impacto fiscal estimado é de R$ 27,8 bilhões entre 2026 e 2027. Desse total, R$ 5,8 bilhões correspondem a 2026 e cerca de R$ 22 bilhões a 2027.
Metodologia
A 15ª rodada da BTG/Nexus ouviu 2.006 eleitores com 16 anos ou mais, por telefone, entre 18 e 20 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00485/2026.