A lobista Roberta Luchsinger deixou de frequentar a mansão que alugou no Lago Sul, em Brasília, mesmo com o contrato do imóvel ainda em vigor. Segundo o proprietário, que pediu para não ser identificado, o aluguel da residência, de R$ 28 mil por mês, foi pago antecipadamente pela empresária no ano passado. As informações são do jornal O Globo.
O imóvel fica em uma área nobre da capital federal, com vista para o Lago Paranoá e a Ponte JK. A residência possui, entre outros espaços, um grande aquário de água salgada instalado na sala de estar.
De acordo com o proprietário, que vive no exterior, funcionários continuam responsáveis pela manutenção da casa. Ele afirmou ainda que tenta entrar em contato com Roberta para saber se ela pretende encerrar a locação, mas não obteve resposta.
A defesa da lobista, porém, afirma que ela deixou de utilizar a residência por causa das medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que restringem sua saída de São Paulo.
Roberta foi alvo de uma operação da Polícia Federal em dezembro, no âmbito das investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ela é investigada por suposta ligação com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos personagens centrais do esquema.
A apreensão do celular de Roberta também levou investigadores a identificar contatos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). O empresário passou a ser citado em três investigações da Polícia Federal que não tratam diretamente dos desvios no INSS, mas apuram suspeitas relacionadas a eventual tráfico de influência em órgãos federais.
Outro nome que aparece relacionado à lobista é Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete de Lula.
Segundo informações divulgadas anteriormente, Roberta teria encaminhado a Marcola um modelo de contrato relacionado à comercialização de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde. A proposta previa contratação com dispensa de licitação e ocorreu enquanto a empresária buscava negócios com a pasta.
Marcola confirmou a interlocutores ter recebido o documento, mas afirmou que não o encaminhou adiante. A negociação não avançou.
A defesa de Roberta não comenta detalhes do caso sob a justificativa de que a investigação tramita sob sigilo.