As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas, as bets, em 2025. No mesmo período, as plataformas do setor movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix no 1º ano de vigência da regulamentação. Os dados constam da 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda).
O levantamento foi feito em parceria com o Cicef (Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento), com base em informações do Banco Central (BC) e das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica.
Segundo o boletim, a regulamentação das bets no Brasil, com a exigência de cadastramento das empresas a partir de janeiro de 2025, coincidiu com uma mudança no fluxo de transferências via Pix realizadas por pessoas físicas para empresas dos setores de artes, cultura, esporte e recreação.
Os R$ 62,5 bilhões representam a diferença entre o total apostado pelos usuários e o valor devolvido pelas plataformas em premiações. O montante equivale a cerca de 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias e, segundo o estudo, mostra que o crescimento das apostas passou a gerar impactos mensuráveis na dinâmica financeira dos lares brasileiros.
“Esse comportamento indica que o setor passou a absorver um volume substancial de recursos das famílias sem devolução proporcional, característica típica dos mercados de apostas, nos quais apenas uma parcela dos valores apostados retorna aos jogadores na forma de premiações”, diz o estudo.
Os valores estimados pelo Comsefaz superam os dados divulgados pelo Ministério da Fazenda sobre as empresas autorizadas a operar no país em 2025. Em janeiro deste ano, a pasta informou que a receita das bets legalizadas havia alcançado R$ 37 bilhões.
O boletim também aponta que a proibição de apostas por beneficiários do Bolsa Família reduziu o ritmo de crescimento das transações e aproximou a diferença entre o volume estimado e o efetivamente observado.
“O fato de a proibição […] ter produzido efeito mensurável sobre o volume agregado de transações sugere que as famílias de menor renda possuíam participação relevante nesse mercado”, diz o estudo.
O documento ainda relaciona o avanço das apostas ao cenário de fragilidade financeira das famílias: “Em conjunto com os elevados níveis de endividamento e de comprometimento da renda apresentados anteriormente, esse resultado reforça o diagnóstico de vulnerabilidade financeira das famílias brasileiras no atual ciclo econômico”.